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Colunista Convidado – Gladius Maximus

PARTE 1: O QUE É ESSE TAL DE BDSM FALADO EM 50 TONS?

bdsmdiariodeumdominadorgladius50tonsdecinzamaisescuros 300x300 - Colunista Convidado - Gladius Maximus1 – No popular e em uma frase, o que é BDSM?

BDSM é o lugar onde interagem as pessoas que gostam de Dominar com aquelas que gostam de ser Dominadas. Logo, seu princípio básico é a hierarquia. Ou seja, qualquer relação afetiva em que ocorra hierarquia entre as partes (completa ou pontual), de forma sã, segura e consensual, é uma relação BDSM.

 

2 – No filme, o “Dom” disse que só tinha uma submissa por vez, mas pelo que vi, dominadores podem ter várias submissas… é verdade?

Sim. Mas a questão aqui é que no BDSM não existe diferença de gênero e sim, de posição hierárquica. Logo, Dominantes (meninos ou meninas) podem ter quantos parceiros submissos (meninos ou meninas) desejarem. Dentro do Universo BDSM, ter uma ou mais relações é sempre uma escolha do Dominante e o que vai definir a quantidade é algo entre a vontade do Dominante, a sua capacidade de manter o que conquistar e obviamente, o limite da parte que se submete. Já que esta última, não concordando com qualquer regra ou situação, pode usar do seu direito inalienável de não participar do jogo.
3 – As pessoas podem trocar de papéis nesse jogo de dominação?

Sim. A pessoa que se completa nas duas posições é chamada de Switcher. Para que o fundamento da hierarquia não seja quebrado, dentro do BDSM essa “troca de posições” ocorre com parceiros diferentes. Mas como fetiche, a troca pode ocorrer com o mesmo parceiro.

 

4 – Não sinto prazer na dor… para ser BDSM tenho que gostar de “apanhar”?

Não. Resumindo, basta gostar de Dominar ou de ser dominado. Todo o resto, técnicas, posturas e procedimentos servem apenas para aumentar a distância hierárquica entre as partes. Distância esta que serve de alimento para os adeptos deste universo.

Para além da hierarquia, o que realmente importa é que os parceiros sejam compatíveis, que se completem com o que o outro tenha a oferecer.

 

5 – Fazer estas coisas “diferentes” não é coisa de gente doente da cabeça?

Não sei em que momento a questão de “gostar de provocar ou de sentir dor” entrou nessa equação de poder. Mas nos idos de 1500, Leonardo da Vinci escreveu:

“Onde há muito sentimento, há muita dor (…) Tal é o Prazer e a Dor… saem de um tronco único porque têm uma só e mesma base, eis que cansaço e dor são a base do prazer e os prazeres vãos e lascivos estão na base da dor.”

O que me leva a crer que o uso do “componente dor”, como uma ferramenta para o aumento da intensidade da interação, não é algo recente.

Durante o século 19, diante da chamada “moral vitoriana”, tudo que ia além do sexo para a procriação era visto como perversão, incluindo-se aqui o Sadismo e o Masoquismo. Termos que foram cunhados pelo psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing com base no comportamento de duas personalidades:

  • Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade: ficou conhecido por seu estilo de vida libertino e por obras de conteúdo erótico, que enfatizavam o sofrimento e a vitimização dos parceiros;
  • Leopold von Sacher-Masoch: jornalista e escritor austríaco, foi responsável por narrar em detalhes a submissão de um homem à uma mulher em A Vênus das Peles (1870).

Tanto Sade quanto Masoch iam muito além do prazer em infringir ou sentir dor em suas práticas e comportamentos. Mas por um tempo, todas as atividades relacionadas à Dominação/submissão foram rotuladas simplesmente de “Sadomasoquismo, SM, Sado e Sadomasô”. O que foi corrigido com a adoção da sigla BDSM, que trata deste universo de uma forma mais ampla.

A perversão vitoriana evoluiu para parafilia, isto é, o comportamento sexual onde o prazer é derivado não do ato sexual puro e simples, mas de outras atividades, objetos e tipos de parceiros.

Na segunda metade do século 20, as parafilias passaram a ser vistas como “inofensivas” e por algumas linhas da psicologia moderna, partes de uma psique normal. Por outro lado, perderiam esse caráter inofensivo no caso de perigo real para o praticante e seus parceiros ou se impedissem o funcionamento sexual normal.

Curiosamente, a masturbação, a homosexualidade, o sexo oral e anal já foram considerados como parafilias. Hoje em dia tudo é aceitável… desde que não seja ilegal, não faça mal a quem quer que seja e que todas as partes envolvidas sejam capazes (tenham capacidade de dar consentimento) e estejam de acordo.

Do meu ponto de vista, a partir do fato de que o “diferente” não é tão diferente assim, quem pratica apenas sexo “normal” é que acaba sendo diferente.
6 – Preciso ser do BDSM para experimentar o sabor dessa hierarquia?

A hierarquia ocorre a partir do momento em que uma das partes toma o controle da “situação” e isso já é relativamente comum, só lembrar das pessoas que gostam de uma boa “pegada” na cama.

Essa “pegada” não passa de uma parte controlando a outra de uma forma, digamos, mais contundente… e ao usar um pouco dessa rigidez hierárquica existente no BDSM, o momento torna-se mais excitante e intenso.

A pessoa não precisa “ser”, basta “estar” Dominante ou submissa. Brincar disso é tão bom quanto qualquer outra brincadeira “sacana”.

 

BRINCANDO “DO QUE”, “COMO”, “QUANDO” E “ONDE QUISER”

Enfim, o melhor dessa descoberta é que todos nós temos partes suprimidas ou mesmo esquecidas… Quando vemos novas possibilidades, principalmente aquelas que nos satisfazem plenamente (e não apenas em partes específicas), tendemos a rumar para https://www.vemtransar.com.br//new/cialis-en-pharmacie/ o equilíbrio e a paz interior.

Tanto o BDSM quanto qualquer outro universo de relações afetivas pode ser vivido como um estilo de vida ou simplesmente como uma “fonte de inspiração”, para tornar nossas relações mais saudáveis, divertidas e intensas. Vale lembrar que nada impede que transitemos entre esses universos, pegando de cada um aquilo que nos completa e alimenta.

 

Confira a segunda parte desta coluna, PARTE 2: O BDSM EM “50 TONS DE CINZA”, no próximo sábado, 09/12/2017.

 

02/12/2017

Gladius Maximus

Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

Sobre Gladius Maximus

Gladius Maximus
Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

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