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Liberdade sexual? Da PARADA gay a PRAGA gay!

Nos Estados Unidos, mais de 50 mil homens foram presos em Nova York, ao longo dos anos 1950 e 1960, por serem homossexuais. Não precisava ser pego em flagrante: somente dar indícios ou estar em algum lugar suspeito bastava. Depois de uma rebelião em um famoso clube frequentado por homossexuais, “The Stonewall Inn”, em 1969, os homossexuais começaram a contra-atacar e a exigir seus direitos como cidadãos e seres humanos. Nascia o movimento pelos direitos dos homossexuais e, com ele, a primeira Parada Gay.

É óbvio que ainda existia uma luta pelo conservadorismo. A juventude, com seus questionamentos e sua insistência desagradável em experimentar, ainda encontrava resistência, os últimos herdeiros da moral e bons costumes, que não pretendiam assistir de forma pacífica os seus filhos fugirem do controle, se tornando sexualmente liberais e moralmente corrompidos.

Uma coisa é certa: o sexo acompanha o momento político do país e do mundo. É claro que a religião também faz parte dessa equação — aliás, eu diria que é o centro dela.

Na Revolução Sexual, os Estados Unidos passavam por um momento de renovação e esperança. O governo de John Kennedy promoveu um ambiente de possibilidades. Porém, com a chegada da Era Reagan — e as ditaduras militares na América Latina —, o ambiente mudou radicalmente para um clima de repressão, e toda a liberdade sexual adquirida voltou a ser tabu. O movimento da abstinência recomeçou com força total.

A AIDS foi determinante para ajudar a mudar esse quadro político, pois seriam necessárias mais do que ameaças para convencer a população a se abster sexualmente. Parece até uma piada de mau gosto, mas com o HIV as preces dos conservadores foram atendidas e o sexo, a sexualidade, e tudo o que vinha avançando para um conhecimento mais profundo levaram um baque de fazer qualquer um puxar o freio de mão. Praticar sexo passaria a ter consequências graves, não de forma fantasiosa, mas com uma realidade cruel: a morte.

Todo o avanço que o movimento homossexual tinha obtido pareceu se estagnar por um tempo, uma vez que os homossexuais foram os primeiros a contrair o vírus, em plena época de amor livre. Isso podia ter acontecido com qualquer grupo, já que uma das formas de contaminação é através do sexo, e naquele momento ninguém tinha medo de engravidar, já que se tomava pílula.

Não se pode dizer que os homossexuais eram mais ou menos promíscuos do que qualquer outro grupo. Mas como a AIDS surgiu na comunidade gay, passou a ser vista como a “praga gay”.

Tatiana Presser

Psicóloga & Sexpert

Sobre Tatiana Presser

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