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Colunista Convidado – Gladius Maximus

PARTE 2: O BDSM EM “50 TONS DE CINZA”

 

50 TONS 300x158 - Colunista Convidado - Gladius MaximusPartindo-se da premissa de que uma relação BDSM é fundamentada na hierarquia, ela simplesmente não acontece em “50 Tons de Cinza”. Por mais que o universo tenha sido utilizado na ambientação da história, de BDSM não temos nada ou quase nada…

Sim, a protagonista é uma mulher com “potencial de submissão”, mas o protagonista é um homem que reúne tantos estereótipos de perfeição que o tornam irreal. Sem falar que se parece muito com a história de “A Bela e a Fera”… a mocinha tenta salvar o príncipe travestido de fera, curando-o de seus gostos estranhos.

Nesse sentido, a obra é um desserviço ao público, associando o desejo de Dominar (ou de ser dominado) à ocorrência de algum grande trauma. O que nos faz voltar àquela velha ideia de perversão ou doença que existia no século passado.

Apesar de grandes traumas impactarem de uma forma ou outra na formação de um indivíduo, somos o que somos a partir de alguma tendência genética somada a uma infinidade de tijolinhos. Além é claro, das escolhas que fazemos diante dos desafios da vida.

Na história, o “trauma de infância” do “Sr. 50 Tons” colaborou apenas na construção de um homem com sérios problemas de insegurança e autoafirmação, comportando-se ora como uma criança mimada, ora como um possível psicopata maníaco-depressivo obcecado pela heroína.

Sim, em diversos momentos Christian Grey age como um “stalker”, perseguindo, pressionando e invadindo a privacidade de Anastasia até conseguir o que quer. É preciso deixar claro que isso não é BDSM.

Se você tem ao seu lado alguém que apresenta esse tipo de comportamento, independente da relação que possui, cuidado… as consequências podem ser irreversíveis, basta dar uma olhada nos noticiários diariamente.

Dominantes reais, independente de serem meninos ou meninas, jamais irão perseguir alguém de seu interesse, pelo simples fato de não precisarem disso. Eles são a constante da equação e reinam soberanos dentro do seu território. Quem entra, o faz por vontade própria.

O que me leva a pensar sobre os motivos que levariam alguém como a nossa heroína a entrar nessa relação… Será que toleraria esse tipo de comportamento doentio se o “Sr. 50 Tons” não fosse esse “príncipe encantado”?

Resumindo, no filme temos apenas o uso de algumas técnicas vindas do Bondage (nas amarrações e aprisionamento), do Spanking (nas chicotadas) e até mesmo do BDSM, quando Grey busca controlar determinadas situações.

A diferença está no fato de que o controle em uma relação BDSM não inclui a atitude de perseguir o parceiro. Pelo contrário, tal comportamento fere o princípio da Sanidade, que faz parte dos fundamentos básicos deste universo: são, seguro e consensual (S.S.C.).

Portanto, “50 Tons de Cinza” não retrata uma história BDSM, no muito, poderia ser enquadrado no gênero “soft porn” com uma pegada fetichista.

 

CONCLUSÃO

 

Como disse, de tempos em tempos, alguma obra literária ou cinematográfica faz com que o olhar do público se volte para o Universo BDSM e o mundo dos fetiches, mostrando que existe “algo além do horizonte”.

A melhor parte do sucesso dessas histórias é que muitos serão afetados (em menor ou maior grau), provocando desejos que poderão catalisar movimentos em suas relações sexuais e afetivas, com novos patamares de prazer, através de técnicas, práticas e procedimentos advindos desses universos.

 

Você consegue ler a primeira parte dessa coluna, PARTE 1: O QUE É ESSE TAL DE BDSM FALADO EM 50 TONS?, publicada no sábado 02/12/2017, clicando aqui!

 

09/12/2017

Gladius Maximus

Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

Sobre Gladius Maximus

Gladius Maximus
Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

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